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LETICIA PICCOLOTTO, INOVAçãO

"Já que não temos data certa para o fim da crise no Brasil, temos que pensar em soluções para ontem"

29/04/2016

O BrazilLAB é um centro de inovação para setor público que conecta empreendedores e líderes públicos abertos à inovação.

Leticia Piccolotto 2O BrazilLAB é um centro de inovação para setor público que conecta empreendedores e líderes públicos abertos à inovação. O programa pretende coletar ideias e propostas de projetos que têm potencial de impacto na gestão pública, melhorar e acelerar essas ideias e finalmente, aplicá-las na gestão pública.

Para saber mais sobre os motivos da criação do Brazil e como ele pretender impactar na gestão pública, fomos falar com Letícia Piccolotto Ferreira, Conselheira do Centro de Liderança Pública e coordenadora e mentora do programa Brazil Lab.

 

1. Como está sendo a repercussão do Brazil Lab desde o seu lançamento em 16/03?

Os empreendedores estão muito animados. Muitos nos procuram querendo entender melhor como o Lab pode ajudar a viabilizar seus projetos e soluções para o setor público. Embora seja difícil falar de soluções para o Brasil quando existe um pessimismo generalizado, a receptividade tem sido muito boa porque o Brazil Lab vai na contramão do pessimismo e da paralisia, buscando acelerar ideias, promovendo o diálogo entre o setor público, empreendedores, academia e sociedade. Já que não temos data certa para o fim da crise no Brasil, temos que pensar em soluções para ontem.

2. O que é o Brazil Lab? Qual o perfil dos empreendedores que vocês estão buscando?

O Brazil Lab é um programa de aceleração para jovens empreendedores que tenham uma ideia, um protótipo ou um produto voltado ao setor público. Em 2016, estamos priorizando projetos nas áreas de saúde, educação e sustentabilidade ambiental. Buscamos empreendedores com ou sem empresas constituídas, com ou sem fins lucrativos, dispostos a participar das atividades do Lab e a implementarem as suas soluções junto a Prefeituras parceiras do CLP.

3. De onde surgiram as referências para a criação do Brazil Lab?

Ano passado fomos convidados a participar do programa SOLVE do MIT, um programa que tem como objetivo convocar a sociedade para pensar em soluções para os problemas globais como a falta de água, aquecimento do planeta, entre outros. Entendemos então a força do diálogo entre setores. Também pesquisamos muito sobre os modelos de aceleração de empreendedores no Brasil e no mundo, como o  YCombinator, 500 Startups, o SEED em Minas Gerais, uma vez que os empreendedores são focados em resolver problemas. Daí, nós unimos todas as pontas e desenvolvemos o Brazil Lab - que pretende ser um hub de inovação voltado ao setor público. 

4. Como a inovação pode contribuir com os desafios do setor público?

Os governos passarão por tempos ainda mais difíceis de escassez de recursos financeiros e também em relação a capital humano. Como os governos farão, por exemplo, concursos públicos com queda de arrecadação? Como os governos responderão de forma rápida e eficaz aos anseios da população na área da saúde ou educação? É difícil. Logo, a inovação se torna peça fundamental. A inovação pode ser desde a reestruturação de um processo até o desenvolvimento de um aplicativo.  

Recentemente estudei um caso muito interessante da cidade de Providence nos EUA, vencedor do prêmio de inovação da Fundação Bloomberg. A partir de uma pesquisa acadêmica ficou comprovado que ao entrarem no jardim de infância, crianças de famílias de baixa renda ouvem 30 milhões de palavras a menos do que crianças de famílias de renda média e alta e que essa “lacuna no vocabulário” prejudica o desempenho escolar. Com a pesquisa em mãos, uma ONG junto com um grupo de empreendedores e a Prefeitura desenvolveram um aplicativo para ajudar os pais a contarem o número de palavras que a criança está sendo exposta todo dia e ajudar a estabelecerem períodos de conversação. Gosto deste exemplo, pois mostra a importância do diálogo e de parcerias entre os setores e ao mesmo tempo mostra o quanto as soluções podem vir de ideias simples.

NO BRASIL, O DIFÍCIL É QUE A ABERTURA PARA A INOVAÇÃO NO SETOR PÚBLICO AINDA DEPENDE MUITO DO APETITE INDIVIDUAL DE CADA LÍDER. O DESAFIO É TORNAR ESTA PRÁTICA SUSTENTÁVEL E PERENE. 

5. Qual o impacto esperado com o programa Brazil Lab?

Nossa meta é acelerarmos 10 empreendedores esse ano no Lab. Um deles receberá o investimento de US$ 5 mil para implementar a sua solução junto a uma Prefeitura parceira do CLP e com todo o acompanhamento da nossa equipe durante 6 meses. Mas o impacto final, de médio, longo prazos, é estabelecermos no Brasil uma cultura mais saudável e permanente de inovação, especialmente a partir da colaboração entre o setor público e o setor privado.

6. Que conselho você daria a um empreendedor que está interessado no Brazil Lab?

O ponto de partida é entender bem quais são os desafios propostos pelo Lab em 2016. Com isso no radar, os empreendedores devem ter uma mente aberta e não ter receio de enviarem ideias ou projetos. Temos uma ampla rede de mentores vindo do setor público e do setor privado. Todas as sugestões serão analisadas e trabalhadas. Importante lembrar que as inscrições no site vão até maio. Para mais informações:www.brazillab.org.br

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