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"Ciência do surto": sistema de Inteligência Artificial ajudou a antecipar a disseminação de COVID-19

08/05/2020

Equipe multidisciplinar de empresa canadense passou um ano ensinando a máquina a detectar 150 doenças letais e acompanhou o deslocamento de milhões de pessoas pelo mundo

Quando se está combatendo uma pandemia, quase nada é mais importante do que a velocidade. De acordo com a emissora norte-americana CBS, um desconhecido grupo de médicos e especialistas em tecnologia afirmaram ter encontrado a velocidade vital necessária para contra-atacar o coronavirus: a inteligência artificial. Eles batizaram a nova arma como “ciência do surto”. E afirmam que ela poderia mudar a forma como enfrentamos novos contágios. 

Trata-se da BlueDot, uma pequena empresa canadense que criou um algoritmo que percorre todo o mundo em busca de surtos de doenças infecciosas. É um sistema digital de alerta antecipado, e foi um dos primeiros a disparar o alarme sobre o surto atual.

 

De animais para seres humanos

Isso aconteceu na última noite do ano passado, quando o computador da BlueDot disparou um alerta: um jornal chinês acabara de reportar 27 casos de uma doença misteriosa, parecida com uma gripe, em Wuhan, cidade com 11 milhões de habitantes. Os indícios eram terríveis. Sete pessoas já haviam dado entrada no hospital. 

Quase todos os casos ocorreram no mercado municipal de Wuhan, onde a todo momento animais vivos são colocados em gaiolas e abatidos. Hoje, está sendo investigado se de fato este foi o foco inicial da epidemia, quando o vírus saltou de animais para seres humanos.

A meio planeta de distância, em Toronto, o CEO da BlueDot, Dr. Kamran Khan, estava a caminho da empresa quando recebeu o alerta. Médico infectologista, ele havia testemunhado outro coronavirus em 2003 – chamado SARS – matar três colegas. "Nós não sabíamos que o surto atual poderia se tornar a próxima pandemia. Mas sabíamos que havia ecos do surto de SARS, e que era algo em que realmente devíamos prestar atenção".

 

Predizendo o vírus

Naquele momento, o governo chinês manteve em sigilo maiores detalhes sobre o surto. Mas o sistema da BlueDot não depende de comunicados oficiais. Seu algoritmo já estava revirando os dados, incluindo boletins médicos e até boletins de agropecuária, para predizer onde aonde o vírus iria a seguir. 

A IA também estava mapeando os dados de 4 mil aeroportos. E não apenas rastreando voos, mas calculando as cidades que corriam maior risco. Em 31 de dezembro, havia mais de 800 mil passageiros deixando Wuhan, alguns deles provavelmente levando a doença. 

As previsões foram acertadas. Muitas das cidades apontadas no sistema foram, de fato, as primeiras a receber casos de COVID-19 fora da China. Tudo isso foi processado em questão de segundos. “Nesse breve tempo, podemos analisar e visualizar toda essa informação ao redor do planeta”, afirmou o Dr. Kahn à CBS.

Ele lembra que, no mundo, há mais de quatro bilhões de pessoas que utilizam a aviação comercial anualmente. “Entender os deslocamentos das pessoas tornou-se fundamental para antecipar a forma como doenças se espalham.” 

 

Localização anônima

Como a BlueDot faz isso? Por meio do monitoramento de smartphones. A empresa tem acesso à localização anônima de milhões de dispositivos. E com esses dados, identificou 12 das 20 cidades que iriam sofrer o maior impacto inicial da doença. “O que fizemos foi acompanhar os celulares que estiveram em Wuhan nos 14 dias anteriores, e para onde foram na Ásia oriental. Lugares como Tóquio receberam muitos dispositivos, além de Seul. Entender os movimentos das pessoas é compreender como o vírus vai se espalhar.”

Para construir o algoritmo, a BlueDot montou uma equipe bastante eclética: engenheiros, ecologistas, geógrafos e veterinários, todos sob o mesmo teto. O time passou um ano ensinando o computador a detectar 150 doenças letais. “Nós conseguimos treinar a máquina para que ela saiba diferenciar dados relativos a um surto de Antraz (Anthrax, em inglês) e informações a respeito da banda de heavy metal Anthrax. À medida que você faz isso milhares e milhares de vezes, a máquina começa a ficar mais e mais inteligente”, explica o Dr. Kahn. Hoje, o sistema de IA da BlueDot lê em 65 idiomas, e processa essas informações a cada 15 minutos, 24 horas por dia. 

Na última noite de 2019, logo depois de detectar o surto, a empresa enviou um aviso sobre a ameaça potencial para seus clientes: gestores de saúde pública em 12 países, linhas aéreas e hospitais de linhas de frente. E a informação foi preciosa para que milhares de vidas fossem poupadas.

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