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Do colapso econômico ao renascimento: como Atenas virou a capital europeia da inovação

28/11/2018

A história de superação da capital grega traz grandes lições de inovação no setor público para o Brasil. E a principal delas é colocar o cidadão no centro dos esforços.

Alguns anos atrás, a notícia era inimaginável. Mais precisamente em meados de 2010, quando a Grécia entrou em um longo processo que resultou em um colapso econômico. A crise, que começou com a dívida pública da Zona do Euro, acabou atingindo proporções terríveis.

No entanto, aconteceu: Atenas acabou de ser eleita a capital europeia da inovação. Como, oito anos depois, a cidade grega superou as dificuldades para tornar-se a quarta a conquistar o título? Essa é uma história que traz importantes aprendizados em GovTech -- sobretudo para um país como o Brasil, que também tenta deixar a recessão para trás.

Um exemplo e um propósito

Oficialmente, a honraria -- e o prêmio de 1 milhão de euros -- é concedida para reconhecer os esforços de gestores públicos no sentido de “encontrar novos e eficientes caminhos para reduzir a pobreza e outros problemas, apesar dos grandes cortes no orçamento e da redução de equipes administrativas”.

Carlos Moedas, Comissário Europeu de Ciência e Pesquisa, afirmou que “Atenas se destaca como um exemplo de cidade que, embora enfrentando muitas dificuldades, consegue atingir grandes objetivos”. “Por meio da inovação, a capital grega encontrou um novo propósito para contornar a crise econômica e social. “A cidade é prova de que o que importa não são as dificuldades, mas como você se recupera delas que importa,” completou o Comissário.

Uma das marcas da recuperação ateniense é colocar os cidadãos no centro da inovação. Quando o Prefeito Giorgos Kaminis assumiu o posto em 2011, o cenário era catastrófico: o município estava praticamente quebrado e a crise econômica se aprofundava.

Ao mesmo tempo, a população estava se organizando espontaneamente para limpar as ruas, oferecer tratamento médico gratuito e alimento para quem precisava, entre outras iniciativas. Kaminis ajudou a fortalecer esses movimentos ao identificar quem os estava liderando e ao conectar essas pessoas entre elas.

 

Uma plataforma para cuidar da cidade

O resultado de tudo isso foi synAthina, plataforma online que mapeou quase 400 grupos que estavam promovendo mais de três mil atividades em Atenas. As tarefas eram as mais diversas: desde remoção de pichações até a organização de workshops de jardinagem. A solução também gerou um mapa que evolui continuamente da sociedade civil e de uma série de iniciativas promissoras.

E os resultados concretos têm sido impressionantes. O mais recente foi a restauração do edifício do mercado Kypseli, que antes estava abandonado. Por meio da plataforma, os gestores públicos consultaram a população para decidir qual seria o propósito da renovação do local; e também encontraram parceiros para realizar o trabalho.

O edifício foi reaberto há pouco tempo. Após a consulta popular, foi definido que ele será um espaço coletivo para organizações sem fins que pretendem fomentar a inovação cultural e social na cidade.

 

Modelo para outras cidades

Em outras palavras, o sinAthina é muito mais do que um site. É um espaço de diálogo aberto dos cidadãos, por meio do qual a população está readquirindo confiança. “SynAthina nos ajudou a criar o espírito de ‘abertura’ em um modelo ‘de baixo para cima’ que hoje é evidente em outros programas que sucederam a iniciativa”,” disse Kaminis. “O modelo da plataforma tornou-se muito popular em muitas, muitas cidades europeias.”

Outra característica importante da retomada ateniense é a o estímulo a parcerias entre o poder público e empresas, universidades, fundações, entre outros. Trabalhando em conjunto com a Bloomberg Associates, um serviço pró-bono de consultoria oferecido pela Bloomberg Philanthropies, Atenas criou uma entidade independente e sem fins lucrativos conhecida como Athens Partnership (Parcerias Atenas). O grupo já angariou 12 milhões de euros para catalizar projetos inovadores que a prefeitura não conseguiria tocar por conta própria.

Essa união é a força motriz da notável conquista ateniense. “O governo não consegue chegar lá sozinho,” afirmou Kaminis. “Precisamos trabalhar com a população, e parcerias entre setores público e privado são a melhor forma de entender quais são as demandas reais das pessoas, de modo a construirmos consenso em relação a programas eficazes,” completou ele.

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