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Letícia Piccolotto Luiza Helena Trajano Conversas Para Inspirar Live

Empresas mais orgânicas, protagonismo feminino e união da sociedade: a visão de Luiza Helena Trajano sobre o momento atual

07/07/2020

Empresária participou de live com Letícia Piccolotto e compartilhou aprendizados de sua inspiradora trajetória profissional e pessoal

Em mais uma live da série “Conversas para inspirar”, Letícia Piccolotto recebeu Luiza Helena Trajano, empresária, Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e uma das personalidades mais influentes do país. Na pauta, estiveram a trajetória, os pontos de vista e os propósitos de Luiza, bem como empreendedorismo feminino, transformação digital e projeções sobre gestão de empresas durante e após a pandemia. Assista a live completa neste link.

Letícia começou abordando o papel das mulheres na história da empresária. “Uma das coisas que mais me tocam na sua trajetória é o fato de você sempre dizer que duas figuras femininas te incentivaram muito: sua mãe, que te inspirou como líder, e sua tia, que tomou a iniciativa de comprar a lojinha que seria a semente do Magazine Luiza. Queria saber de você: o que te move a continuar, todos os dias?”

Luiza Trajano foi direto ao ponto: “o que me move é a paixão pelo que faço. Sou muito apaixonada por tudo. Quando você faz as coisas com muito amor, os resultados vêm. E sou de uma família empreendedora, sempre escutei poucos ‘nãos’, escutei ‘não pode’ poucas vezes. Quando me casei, por exemplo, eu não tinha sequer uma peça de enxoval, nada. Fui construindo aos poucos, e o meio em que cresci me inspirou demais. Eu não tinha pano de prato, nem baú, nada. Vim de uma família em que o trabalho e o empreendedorismo são coisas muito fortes, tanto para os homens quanto para as mulheres.”

 

Soluções na cabeça

Luiza contou que também foi criada sempre “com soluções na cabeça”. Para ela, empreendedor é quem sabe que vai encontrar obstáculos, mas que sempre vai atrás da solução. E fez um alerta: “precisamos saber que, quando empreendemos, nunca vamos ganhar dos dois lados. Ser empreendedor é sair pra fazer, é quem sai, quem realiza; mas isso implica saber fazer escolhas e saber renunciar, também”.

A seguir, Letícia aproveitou o gancho para falar sobre empreendedorismo feminino, e sobre como as qualidades e a liderança da mulher estão sendo cada vez mais enaltecidas pelo mundo. “Vimos como os países liderados por mulheres estão se saindo bem neste período de pandemia, como Nova Zelândia e Alemanha. Você costuma dizer que o mundo está cada vez mais preparado para absorver as lideranças femininas. Mas ainda lidamos com os desafios, as barreiras na vida das mulheres…”

Para Luiza Helena Trajano, a pandemia está promovendo mudanças sem precedentes no funcionamento de tudo, e deve acelerar a tomada de consciência a respeito da importância do papel feminino. “Ninguém sabe direito o que acontece. No começo da quarentena, fiz uma proposta comigo mesma de que viveria cada dia; e sabia que ninguém sabia nada. Então resolvi ‘desaprender’ coisas para depois reaprendê-las. Agora, noventa dias depois, arrisco dizer que as coisas que já estavam nascendo antes da doença foram aceleradas. O papel e a importância da mulher aceleraram, a meu ver.” 

 

Sai a gestão mecânica, entra a orgânica

Ela recapitulou o início da trajetória à frente do Magazine Luiza: “antigamente, a gestão dos negócios era totalmente mecânica, só importava o lucro. Quando assumi a companhia, nos anos 90, percebi que não podia ser assim. Precisávamos dar mais atenção às pessoas. A empresa passou a ser orgânica.”

A empresária vê essa mudança como uma tendência atual. “Hoje, todo mundo está mais orgânico. E quem está mais preparada para trabalhar de forma orgânica? Claro que a mulher. Ela é mãe, e sabe que a maternidade não é mecânica, não pode se planejar quase nada, tem que se adaptar ao que acontece. A mulher está bem preparada para tudo isso. A epidemia acelerou o processo”.

Luiza Helena Trajano também refletiu sobre a própria maternidade: “Eu nunca tive expectativa de ser a melhor mãe, porque ia me frustrar, ia frustrar meus filhos. Minha mãe era muito sábia; eu tive três filhos em três anos e meio, e ao mesmo tempo trabalhava no balcão, no interior de São Paulo. E minha mãe me orientou. Disse que não tem dinheiro que pague a experiência com os filhos, e me estimulou a sempre estar próxima deles. Eu queria ser presente na vida deles, dos amigos deles”. 

Para ela, o fato de o filho Frederico Trajano ter assumido o comando da rede foi resultado disso. “Nunca pedi para ele assumir a empresa, tudo aconteceu pelo caminho do exemplo. E meus netos estão sendo criados do mesmo jeito. Até sofro mais porque nunca tive dó dos meus filhos, mas morro de dó dos netos”, brincou ela. 

 

“Nunca misturamos as gavetinhas”

Letícia abordou, também, a visão de Luiza sobre gestão de empresas familiares. “Você conseguiu trazer a família para dentro da companhia, indo na contramão de muita gente. Agora, o Frederico Trajano está liderando a transformação digital da empresa. Como foi e tem sido esse processo?”

Luiza creditou o sucesso à família. “Minha tia comprou uma lojinha em Franca com muito sacrifício. A família ajudou, e desde então nunca misturamos as gavetinhas: o dinheiro da empresa era da empresa. As coisas eram bem estabelecidas. Se  a família vai trabalhar nela, tem que ter acordo. Por exemplo, já na década de 1970 fizemos um acordo de que ninguém que fosse agregado trabalharia na empresa. Meu marido, por exemplo, nunca pensou em trabalhar lá.” 

De acordo com ela, tudo sempre funcionou na base dos acordos. “Ninguém tirava dinheiro, a não ser salário. E pra ter salário, tinha que trabalhar. Ninguém entra como diretor, ninguém entra lá em cima. O Frederico trabalhou nove anos lá fora, em banco, em fundo; depois, voltou para Franca e montou o Magazineluiza.com.br, e as coisas foram acontecendo. Fomos fazendo as coisas gradativamente, mas sempre com a governança dos acordos.”

 

“Errar faz parte da minha vida”

Outro tema abordado na conversa foi a transformação digital. Letícia Piccolotto lembrou que o varejo nacional constitui um exemplo  muito inspirador de digitalização, e que o próprio Magazine Luiza é referência de pioneirismo nesses aspecto. E destacou que o setor público precisa trilhar o mesmo caminho de transformação. 

Diante disso, Luiza Helena contou um pouco do processo de digitalização da empresa, e falou sobre a importância dos erros. “Errar faz parte da minha vida. Agora, eu consigo aprender muito rápido com o erro. Desde 90, quando assumi a presidência do Magazine Luiza, sabia que duas coisas fariam a diferença na nossa operação: atendimento e inovação. Mas para inovar, precisávamos preparar, instruir nossos consumidores. Fizemos ações de marketing educativo para o pessoal de zonas rurais, durante vários meses focamos nisso, o que nos preparou para o futuro, para a nossa digitalização”.

Já em relação à transformação digital de governos, a empresária entende que o Brasil precisa digitalizar todo o poder público. Ela falou do trabalho à frente do Grupo Mulheres do Brasil, Comitê de Políticas Públicas que reúne 45 mil mulheres em todo o país, e que tem trabalhado intensamente pela modernização do SUS, cuja importância foi realçada pela pandemia. 

Ao final da conversa, Luiza Helena Trajano compartilhou algumas mensagens bastante inspiradoras para os tempos atuais. “Nós precisamos estar unidos. Não existe um salvador da pátria, o que existe é uma sociedade unida, uma paixão pelo país. Nunca me filiei a nenhum partido, apenas acredito que a sociedade tenha que estar junta. É um momento sem paralelo no mundo. E só a união, e a política pública que resulta dela, nos permite dar os saltos necessários para superar esses desafios”, completou.

Assista a live "Conversas Para Inspirar com Luiza Helena Trajano" neste link.

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