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Inovar para empoderar: um debate sobre a desigualdade de gênero no setor de tecnologia

11/03/2020

Evento realizado em São Paulo debateu a tecnologia como caminho para fortalecer as mulheres em um mercado muito desigual

Você sabia que, de acordo com o IBGE, apenas 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI são mulheres? No entanto, elas têm grau de instrução mais elevado que os homens do setor no Brasil; e mesmo assim ganham 34% a menos que eles. Esses dados não são “privilégio” do setor de tecnologia; mas chamam a atenção pela disparidade, que chega às raias do absurdo.

Para debater esse cenário, Letícia Piccolotto, fundadora do BrazilLAB, recebeu Gabriela Paranhos, COO para a América Latina da Generation, e Rosana Spessoto, Psicóloga e Professora da UNIVAP. A conversa aconteceu no último dia 10 de março, em São Paulo, e foi orientada pela seguinte pergunta: como a tecnologia pode empoderar as mulheres no mundo de hoje?

 

Processo de autoconhecimento

Em sua fala, Rosana afirmou que empoderamento feminino deve ser um processo de auto-descobrimento. “É preciso que cada mulher entenda o que, para si, é ‘empoderar-se’. Não há regra, receita ou ‘certo e errado’”.  Ela também lembrou que as mulheres sofrem de maneira específica as doenças mentais, como ansiedade e depressão. “Isso porque, sobre elas, recaem pesos e demandas cotidianas – como o papel de cuidadora, de provedora, de trabalhadora e também mãe. Elas vivem cotidianamente esses ambientes tóxicos e violentos e, por isso, esse processo de ‘burnout’ é mais agressivo”, destacou a psicóloga.

Outro alerta feito por Rosana Spessoto disse respeito aos lados feminino e masculino: “são arquétipos que estão presentes em todos os indivíduos – em maior ou menor grau. O feminino não é exclusivo da mulher, assim como o masculino não está presente somente nos homens. Esses arquétipos trazem ganhos, dadas as suas características específicas, e precisam ser sempre considerados”.

 

A importância do exemplo

Já Gabriela Paranhos compartilhou sua experiência no mercado de tecnologia. Ela apontou a importância do exemplo como principal elemento para incentivar a participação de mulheres nas áreas de tecnologia. “É preciso que meninas e mulheres possam conhecer cada vez mais experiências de pessoas que, como elas, trilharam um caminho profissional de sucesso”, afirmou. 

Ela contou que, na Generation, há diversas ações para fortalecer a participação de meninas e mulheres na área de programação: desde busca ativa, ou seja, a atração de candidatas ao processo seletivo do curso, até o acompanhamento individual ao longo do curso para que as alunas possam se manter engajadas. “É necessário um tratamento diferenciado para esse grupo, um acompanhamento mais presente para fortalecer a confiança de que a área de tecnologia ‘também é para mulheres’”, explicou a executiva. 

Gabriela destacou, ainda, a influência que o ambiente coletivo tem para as meninas e mulheres: “muitas vezes, uma palavra, uma avaliação ou o desestímulo por parte da família, de professores, de companheiros e de chefes pode representar uma marca muito difícil de ser superada. Precisamos sempre incentivar meninas e mulheres a perseguir carreiras na tecnologia, porque uma simples palavra pode fazer toda diferença”, completou. 

 

Absoluta paixão

Para Letícia Piccolotto, há três principais elementos que garantem o empoderamento feminino: independência financeira (ter recursos financeiros coloca a mulher em “pé de igualdade” com os homens, especialmente se consideramos o ambiente familiar a relação marido-mulher); resiliência (a capacidade de se adaptar a diversas situações, demandas e papéis como mulher); e educação (é preciso que as mulheres continuem a trilha que têm percorrido até agora – são as que mais estudam, as que mais procuram se aprimorar tecnicamente, isso considerando quase todas as áreas de atuação acadêmica e profissional).

Letícia destacou a sua trajetória específica - desde muito jovem, ocupou espaços de liderança em que a maioria é composta por homens. Nesse sentido, salientou a importância de: falar sobre as dificuldades e desafios enfrentados junto a outras mulheres, já que esse reconhecimento é algo muito importante; e marcar uma posição de excelência constante e ter absoluta paixão pela profissão que exerce. “Muitas vezes, precisei ficar distante dos meus filhos por conta do trabalho e isso só fez sentido porque sou apaixonada pelo que faço, e sei que há um sentido maior nesses momentos de distanciamento”, completou a fundadora do BrazilLAB.

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