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Pacto contra as fake news, Inteligência Artificial e FemTechs: confira os destaques do Web Summit 2018

20/11/2018

No começo de novembro, Lisboa sediou a maior conferência de tecnologia da Europa. Entre os destaques, estão inovações que podem causar grande impacto em GovTech.

Aconteceu recentemente, em Lisboa, a 10a edição do Web Summit. Trata-se da maior conferência europeia de novas tecnologia -- e o adjetivo não é força de expressão. De 04 a 07 de novembro, cerca de 70 mil de 159 países pessoas reuniram-se na Altice Arena, na capital portuguesa. Foram mais de 1.200 palestrantes distribuídos por 24 palcos.

Entre os apresentadores, nomes de muito peso: Sir Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web; Ev William, fundador do Blogger, do Twitter e do Medium. E o atual Secretário Geral das ONU, António Guterres. E é claro que as startups marcaram presença massiva. Passaram por lá mais de 1.800 empresas -- algumas delas estão na ponta da inovação tecnológica. Veja, agora, o que rolou de mais bacana nesse importante evento.

 

Fake news são o alvo

Passaram pelo palco principal fundadores e CEOs de empresas bem sucedidas da nova economia, como Minecraft, Pinterest e Tinder. Embora tenham participado de painéis diferentes, todos demonstraram uma preocupação em comum: as fake news, ou notícias falsas. De acordo com Juliana Nascimento, repórter do B9 presente ao evento, os apresentadores refletiram sobre como a internet tem mais “nos distraído dos nossos objetivos do que nos ajudado a atingi-los”.

Tim Berners-Lee, que falou na abertura do evento, foi enfático: “precisamos devolver à web o seu espírito original”. Então, ele convocou empresas, plataformas e pessoas a assinar uma “carta magna” pela mudança. Juliana Nascimento afirma que houve consenso a esse respeito. Muitos palestrantes insistiram que é preciso “resgatar a web” para torná-la, novamente, “lugar de inspiração e conhecimento, um espaço que trabalha a favor da democracia e do humanismo”.

 

Machine learning facilitando o acesso à informação

Jason Bloomberg, especialista em TI e colaborador da Forbes, também participou do evento. E foi para Lisboa com uma missão bastante específica: descobrir, entre as startups participantes do evento, aquelas mais disruptivas. Ele encontrou algumas empresas que estão desenvolvendo produtos e serviços que podem revolucionar, também, a gestão pública.

Bloomberg cita uma empresa cujo negócio é centrado em machine learning: trata-se da Domo, que usa a tecnologia para conectar pessoas e sistemas a dados. A startup opera totalmente baseada na nuvem -- e inteiramente mobile. Ou seja, todas as informações em uma única tela, o que garante, a qualquer pessoa, acesso aos dados de que precisa. Aplicada ao setor público, a solução poderia trazer muito mais transparência e facilidade no acesso à informação.  

 

Robôs e IA  

Outro destaque de Jason Bloomberg no Web Summit foi a robótica. Ele bateu um papo com Ben Goertzel, brasileiro radicado nos EUA que é CEO da SingularityNET, cientista chefe da Hanson Robotics e responsável por Sophia, um sorridente e falante robô que é tão “humano” que tem sua própria página no LinkedIn.

O trabalho de Goertzel representa uma intersecção entre várias inovações. Na Hanson Robotics, os robôs são produzidos com esforços focados nas expressões faciais complexas de Sophia; enquanto isso, na SingularityNET, é desenvolvida a Inteligência Artificial do robô, que opera na nuvem de forma semelhante à Siri da Apple.

Além disso, Goertzel aplica a tecnologia de blockchain a suas pesquisas. De acordo com Jason Bloomberg, a visão do CEO da SingularityNET, que não tem fins lucrativos, é de uma plataforma descentralizada de colaboradores de módulos de Inteligência Artificial. Traduzindo: com esse pensamento, Ben Goertzel pretende obter mais diversidade e inovação em IA do que qualquer organização reunir, mantendo os avanços fora do alcance de grandes corporações.

Para Jason Bloomberg, a grande novidade de todo esse trabalho é a possibilidade de fomentar uma comunidade de componentes de Inteligência Artificial capazes de interagir uns com os outros. No campo de serviços públicos, esse sistema poderia trazer enormes benefícios para a população, uma vez que proporcionaria automação e simplificação de processos.

 

Protagonismo feminino e defesa da ética na saúde

A robótica também marcou presença no quarto e último dia do evento, quando aconteceu o HealthConf. Trata-se de um conjunto de painéis dedicados à aplicação da tecnologia na saúde. Juliana Nascimento, do B9, mencionou os robôs cirurgiões e outros avançados aparelhos que estão modernizando procedimentos.

Mas o destaque da repórter foi para as FemTechs (Female Technology) -- empresas de tecnologia focadas na qualidade de vida das mulheres. Uma delas é a Ava Science – FemTech que está ajudando mulheres a engravidar por meio de uma combinação de um dispositivo (um bracelete que se usa dormindo) e algoritmos.

Por fim, Juliana Nascimento destacou o alerta feito por Til Wykes, pesquisadora do Kings College London, sobre as HealthTechs. De acordo com ela, dos 325 mil apps que se dizem de saúde nas lojas de aplicativos, muitos não têm, em seu desenvolvimento qualquer envolvimento com médicos. Wykes pediu ao público que a ajudasse a emplacar, junto às lojas de apps, o que chamou de quatro princípios básicos para esses aplicativos:

  • clareza sobre segurança e privacidade de dados;
  • envolvimento de profissionais da saúde no desenvolvimento;
  • testes minimamente padronizados;
  • dosagem (como e quando você deve usar o app).

E foi assim, unindo inovação à defesa da diversidade e do uso ético da tecnologia, que aconteceu o Web Summit 2018. Embora não seja orientado para GovTech, a conferência apontou caminhos que certamente vão impactar o setor.  

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