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Tecnologia para melhorar a educação: Como startup acelerada pelo BrazilLAB ajudou o Piauí a reduzir evasão escolar

29/07/2019

Com diferentes soluções integradas, plataforma também contribui para melhorar desempenho dos alunos e para reduzir casos de bullying

A evasão escolar está entre os maiores desafios da educação no país. De acordo com dados divulgados no final de 2018 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do IBGE, quase quatro em cada dez jovens de 19 anos não concluíram o ensino médio. Desses, 62% estão fora da escola e 55% pararam de estudar ainda no ensino médio. De acordo com este estudo da Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas – a GESTA –, a evasão tem diferentes motivos: acesso limitado à escola, gravidez e violência são os mais críticos.   

O cenário é realmente alarmante, mas algumas iniciativas têm demonstrado que a tecnologia pode ajudar a transformá-lo. Uma delas é a plataforma Mobieduca.me, que vem promovendo uma verdadeira revolução no estado do Piauí. A startup, que participou da primeira edição do programa de aceleração do BrazilLAB, desenvolveu uma ferramenta de monitoramento que, entre outras tarefas, comunica aos pais se os filhos ausentam-se da escola. O contato é feito por meio de mensagens via telefone celular. E os resultados são animadores: redução drástica tanto na evasão escolar quanto na infrequência (faltas). 

 

Revolução em três frentes

“Em 2015, quando começamos a trabalhar com a Secretaria da Educação, uma média de 40 mil alunos estavam saindo das escolas”, lembra Antônio César, Analista de Negócios do Mobieduca.me. “No último censo, o número foi de 11 mil. Mais de 53% alunos deixaram de evadir.”  

César explica que a solução do Mobieduca.me atua em três frentes. “Primeiro, no combate à infrequência e à evasão escolar, campos em que temos números bem positivos - reduzimos em até 75% a infrequência dos alunos”. De acordo com ele, a média de frequência atual dos alunos da rede piauiense é de 98% nas escolas. 

Outra frente de atuação é o monitoramento do rendimento dos alunos. Com a plataforma, é possível entender como os estudantes estão recebendo e retendo conteúdos, e os resultados também são impressionantes. “Em 2013, o município de Teresina ocupava a 13a colocação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre capitais. Em 2015, ficou em 4o colocado. Em 2017, o município foi a primeira capital em resultados do Ideb”, relata o Analista de Negócios do Mobieduca.me. O monitoramento dos alunos também é realizado no transporte até as escolas - os pais sabem quando os filhos chegam à instituições.

Por fim, a plataforma ajuda a combater efetivamente a violência e o bullying. Isso ocorre por meio do app “Juntos Numa Boa”, vinculado a uma central de monitoramento diário. A solução é aberta para a comunidade, permite denúncias anônimas e fornece dezenas de indicadores sociais, escolares e até mesmo afetivos.

 

O desafio de adaptar e convencer

De acordo com Antônio César, o projeto do Mobieduca.me começou em 2015 com um piloto. Um dos principais desafio foi adaptar a tecnologia para a realidade da população. “Não era todo mundo que tinha acesso a internet, por exemplo. Precisávamos adaptar a plataforma para que ela fosse simples e fácil de usar”. 

A partir do momento que isso foi feito, a população se convenceu dos benefícios da solução. “Quando o professor entendeu que poderia usar a plataforma a seu favor, passou a economizar tempo, fazer várias tarefas. Hoje, ele faz tudo por meio da plataforma, e consegue entregar um resultado de avaliação pros alunos em menos de 10 minutos, por exemplo”.

Todo o processo de implantação, desde o convencimento do corpo técnico da escola, dos gestores públicos, dos pais e dos alunos, se deu a partir da tecnologia. “Precisamos insistir em como a inovação facilitaria a vida de todos. Agora, os pais sabem quando os filhos entram no ônibus, quando chegam às escolas, e também acompanham seus desempenhos. E para o órgão público, é mais transparência, é comprovação do bom uso dos recursos.” 

 

100% da rede até o final do ano

Hoje, o Mobieduca.me está consolidado e com planos de fazer muito mais. “Nós adquirimos know-how para participar de qualquer processo de licitação”, afirma César. “Também preparamos o modelo de negócio para fornecer tudo de forma integrada ao governo: o equipamento, os insumos, o serviço de call center dentro da plataforma. Hoje, entregamos tudo no mesmo pacote - seria caro se o governo contratasse cada item separadamente. 

E a startup já começou o trabalho de ampliação do projeto para todas as escolas estaduais. “O processo é gradativo, pois depende do orçamento do Estado, mas temos o sinal verde e até o final do ano pretendemos cobrir 100% da rede”, conclui Antônio César.

 

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