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Todas as indústrias já perceberam o imenso valor da tecnologia; agora é a vez do setor público

12/08/2019

Alexander de Carvalho, co-fundador do fundo de venture capital europeu Public.io, reflete sobre entraves que impedem que governos se alinhem aos novos tempos

No mês passado (julho), um negócio movimentou o mercado farmacêutico nos EUA. A Echo, empresa que criou um sistema grátis de entrega de medicamentos diretamente para os pacientes, foi vendida para a McKesson - gigante da distribuição de produtos farmacêuticos que também desenvolve soluções tecnológicas para o setor. Em 2018, o faturamento da McKesson ultrapassou 200 bilhões de dólares – e o da Echo por pouco não atingiu esse impressionante valor. 

Para além das cifras, a operação chamou a atenção por despertar uma dúvida: porque a McKesson, que sempre destinou imensos recursos à distribuição farmacêutica, optou por comprar a Echo, em vez de desenvolver uma solução parecida com a da empresa? Em outras palavras: porque decidiu comprar em vez de construir?

 

Retorno significativo

Em artigo publicado no portal do Public.io, Alexander de Carvalho, co-fundador do fundo de venture capital britânico, celebrou a decisão da McKesson. “Se eles permitirem que a Echo continue centrada em construir soluções elegantes e focadas nos usuários, certamente obterão um significativo retorno deste investimento”.

De acordo com Alexander, o debate entre comprar ou construir é ainda mais importante no setor de GovTech. “Agora é o momento de empresas orientadas para o setor público  prestarem atenção na tecnologia para obterem crescimento. No Public.io, a expectativa é que ocorram mais e mais aquisições semelhantes à da McKesson em GovTech”, afirma ele. Por conta disso, o co-fundador do Public.io deixa um aviso aos investidores: “é hora de acordar para o tremendo potencial de GovTech”. 

 

Comprar X construir

Alexander lembra que essa batalha já ocorre nos mais diversos mercados há dezenas e dezenas de anos. Mas, com o advento de novas tecnologias, os empreendedores podem se beneficiar de infraestruturas relativamente baratas  para desenvolver soluções que atuem numa escala e numa efetividade que jamais estiveram disponíveis nos mercados em que pretendem operar. 

Grandes corporações, lideradas por empresas de tecnologias (particularmente as chinesas), foram rápidas ao perceber isso. Adquirindo empresas de tecnologia em estágios iniciais, conseguiram obter retornos espetaculares - um exemplo foi a compra do WhatsApp pelo Facebook. 

Para Alexander de Carvalho, é extraordinário pensar que algumas dessas aquisições sejam altamente “canibais”, a julgar pelo ritmo com que a transformação ameaça essas corporações. “Basta pensarmos em FinTechs, em e-commerce, e nas indústrias de restaurantes, táxis e viagens: Empresas tradicionais desses setores ou foram substituídas ou foram forçadas a adquirir novos players que construíam produtos e serviços melhores, mais inovadores e, por isso, baratos”. 

 

Alavancando a tecnologia para governos

Enquanto essa substituição ou essas aquisições ocorreram em quase todas as indústrias, o setor público tem sido uma exceção. No entanto, Alexander de Carvalho alerta que isso está mudando. “Governos, e talvez fornecedores governamentais, em particular, representam uma das últimas fronteiras da disrupção tecnológica como a conhecemos. Mas há evidências de que o setor está pronto para a disrupção.” De acordo com ele, esses sinais são três:

  • Um excesso de confiança em tecnologias antigas: 70% dos 82 bilhões de dólares que o Governo dos EUA dirige a TI são gastos com a manutenção dessas tecnologias;
  • Falta de investimento em tecnologia: de 2010 a 2015, também nos EUA, os gastos com TI do governo ficaram estacionados, enquanto o investimento do setor privado aumentou 25%;
  • Predominância de um número reduzido de empresas fornecedoras: no Reino Unido, as dez maiores fornecedoras do Ministério da Defesa respondem por um total de 40% dos recursos investidos.

É verdade que governos sempre foram lentos para se adaptar a novas tecnologias. Aversão ao risco, práticas de aquisição que não envolvem tecnologia e empecilhos políticos fizeram com que o setor público ficasse para trás nesse contexto. 

“Mas a mudança está chegando”, reafirma Alexander. “À medida que as expectativas de cidadãos aumentam e que os desafios do setor público se tornam mais complexos, cresce o número de gestores que estão olhando para novas soluções vindas da tecnologia”. Aqui no Brasil esse movimento também ocorre, ainda que de forma talvez mais incipiente. Mas nós, do BrazilLAB, continuaremos trabalhando para que ele se intensifique. 

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