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Web Summit: estivemos no maior evento de tecnologia do mundo e contamos para você como foi

11/11/2019

Confira o relato de Fernando Rabelo, Consultor de Implementação do BrazilLAB, sobre como Lisboa se tornou um dos pólos da inovação global

De 04 a 07 de novembro, a capital portuguesa voltou a sediar o Web Summit, que hoje é o maior evento global de tecnologia. É o que provam os números: foram cerca de 75 mil participantes, mais de 1.200 palestrantes e presença de mais de 160 nacionalidades. Entre os apresentadores, estavam figuras de projeção global, como o ex-premiê britânico Tony Blair, o presidente da Microsoft Brad Smith, o analista de sistemas Edward Snowden, a CEO da Wikipedia Katherine Maher e o CEO da Huawei Guo Ping, entre muitos outros. 

Desta vez, o BrazilLAB esteve lá e acompanhou de perto os debates sobre o impacto atual e o futuro da revolução digital. Foram muitos painéis abertos e francos sobre regulação, monopólio, democracia, privacidade, inclusão, cooperação e tudo o que há de mais avançado no universo tech. O destaque foi para as apresentações que explicaram como Portugual se tornou referência de inovação na Europa - algo que pode ser muito inspirador para nós, brasileiros.

 

Um pouco de contexto

A transformação portuguesa tem muito a ver com a atuação da Nova School of Business and Economics, a antiga Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Conhecemos detalhes sobre a instituição no Web Summit. Soubemos que a escola surgiu na década de 1970 já com o foco na internacionalização - hoje, 100% das aulas em inglês e 46% dos estudantes de mestrado são estrangeiros. Ficou claro, também, que a visão da Faculdade é ajudar a diminuir o gap entre sociedade, indivíduos, empresas e governos para que o país acompanhe o acelerado processo de disrupção atual.

Outro agente fundamental na transformação de Portugal tem sido a Beta-i, organização criada para fomentar o empreendedorismo e disseminar a cultura de inovação. Hoje a maior aceleradora do país e uma das maiores da Europa, a Beta-i foi a principal responsável por trazer o Web Summit para Lisboa. E seus programas de aceleração são um sucesso incontestável: para cada ciclo, há 200 inscritos de diversos países.  Além disso, a organização criou uma parceria com a Singularity University e a Nova SBE para formar os futuros gestores em um contexto de profunda transformação.

 

Invest Lisboa mostrando o caminho

No Web Summit, conhecemos outra iniciativa que foi fundamental para a transformação de Portugal em referência de inovação. Trata-se do Invest Lisboa, agência de promoção econômica criada em 2009 pela Prefeitura de Lisboa e pela Câmara de Comércio e Indústria de Portugal. Com um modelo semelhante ao do Desenvolve SP, tem o objetivo de atrair investimentos, empresas e talentos

De projeção internacional, o Invest Lisboa tornou-se a porta de entrada da Europa para os países de língua portuguesa. E também contribuiu para melhorar o ambiente de negócios para a transformação digital. Hoje, são necessários apenas 45 minutos para a criação de uma empresa, os serviços públicos estão totalmente online, há incentivos fiscais e hubs criativos espalhados pelo país. Ao todo, Lisboa conta atualmente com 18 incubadoras, 14 aceleradoras, mais de 50 espaços de coworking, 21 investidoras e oito hubs criativos.

 

A agência que modernizou o país

Outra iniciativa portuguesa que merece destaque, e que conhecemos melhor no Web Summit, foi a AMA - Agência para a Modernização Administrativa. O órgão foi criado para conduzir a modernização e a simplificação administrativa, bem como a administração eletrônica desses processos. O carro-chefe da AMA é a Loja de Cidadão, espaço de prestação de serviços públicos que reúne várias entidades públicas e privadas, com o objetivo de facilitar a relação dos cidadãos e das empresas com a administração pública. Os moldes são semelhantes aos do nosso Poupatempo.

Hoje, são 56 lojas espalhadas pelo país. Em cada unidade, o cidadão faz o que poderia fazer em casa, mas que não quer, não consegue ou tem dificuldade. Os espaços são mediadores do atendimento digital, não fornecedores de atendimento presencial. A AMA também vem contribuindo fortemente para a transformação digital portuguesa: implementou a ID eletrônica/cartão do cidadão, que só não substitui a carteira de motorista. Também implantou uma plataforma de interoperabilidade e integração de todos os serviços, e tem investido em mecanismos de inteligência artificial e blockchain.

Além disso, a Agência para a Modernização Administrativa realizou, em 2017, o primeiro orçamento participativo digital nacional (os cidadãos votaram pelo celular a respeito do empenho do valor definido pelo governo, de 3 bilhões de euros). O órgão também é responsável pelo Simplex, programa de simplificação administrativa e legislativa que torna mais fácil a vida dos cidadãos e das empresas na sua relação com a gestão pública. Os resultados são impressionantes: 

  • Economia de 1,8 milhões de euros com custos de certificações para pequenas e médias empresas;
  • Milhões de certidões emitidas exclusivamente online;
  • Cidadãos atravessando fronteiras em menos de 20 segundos;  
  • Ingresso totalmente online no ensino superior.

 

Tony Blair e os desafios da regulação da tecnologia

Merece destaque, também, a fala do ex-premiê britânico Tony Blair, hoje Presidente Executivo do Tony Blair Institute for Global Change. Em sua apresentação, ele salientou que a tecnologia não se restringe somente às grandes empresas (“Big Techs”). “A discussão é muito maior do que isso”, afirmou ele. “Envolve regulação. E quem cuida dessa regulação tem que entender de tecnologia e das expectativas das pessoas. O problema é que os responsáveis são os políticos, e os políticos não entendem disso. Resultado: a regulação é ruim”.

Para Blair, o mundo precisa de um novo tipo e uma nova expertise de regulação, porque os modelos antigos não vão funcionar. Para exemplificar, ele abordou a crise de confiança, com fake news e outras ocorrências. “É uma oportunidade para a imprensa dar um passo pra trás e rever alguns conceitos. É melhor estar certo do que ser o primeiro. Ocorre que não se trata só de uma crise de confiança na imprensa, mas nas instituições. Existe um viés, um ponto cego, porque não há diversidade, realmente. E todo mundo tem um viés. Isso precisa ficar claro. Não podemos tentar ser imparciais; precisamos, sim, ser transparentes, dizer quem somos e de onde viemos, mas que seremos justos e abertos. O que precisamos é de mais diversidade”, concluiu o ex-premiê.

 

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