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Barcelona: o exemplo de inovação na gestão pública que merece ser conhecido e seguido

24/05/2018

A cidade espanhola tem uma longa trajetória de estímulo à inovação no setor público. Mas, desde 2015, a transformação vem se acentuando. Conheça agora essa história

 Este ano será decisivo para o Brasil. Muitos de nós iremos às urnas para eleger deputados, senadores, governadores e o(a) próximo(a) presidente. O debate eleitoral está esquentando, os candidatos ainda estão surgindo, mas algumas perguntas pairam no ar: e a inovação, quando entrará para valer na agenda política? Qual é a relação de cada postulante com o tema? Como os candidatos pretendem incentivar a atividade empreendedora e, em consequência, melhorar os serviços oferecidos à população?

Como hub de inovação que conecta empreendedores ao poder público, o BrazilLAB considera esses questionamentos fundamentais. E, para estimular o debate, traremos exemplos bem sucedidos de cidades que têm batalhado para inovar no campo de GovTech ao redor mundo. É o caso de Barcelona.

 

De furtos de bikes a detecção de buracos

Barcelona é um modelo a ser seguido. A cidade espanhola já acumula um considerável histórico de inovação - como é o caso do BCN | Open Challenge, programa que permite à prefeitura convocar empresas (geralmente startups), tanto locais quanto internacionais, a proporem soluções inovadoras para os serviços públicos.

Funcionando em um modelo semelhante ao da Aceleração do BrazilLAB, as soluções responderam a seis desafios diferentes:

  • Redução dos furtos de bicicleta na cidade
  • Desenvolvimento de sistemas de suporte que reduzam o isolamento social
  • Monitoramento do fluxo de pedestres na cidade
  • Criação de ferramentas que proporcionem a digitalização de acervos de museus e de outros arquivos da esfera cultural
  • Desenvolvimento de ferramentas que detectem problemas no asfalto, bem como que enviem alertas
  • Fortalecimento do comércio local por meio da tecnologia.

 

A revolução tecno-democrática de Ada Colau

Mas as páginas mais importantes da trajetória de inovação de Barcelona foram escritas nos últimos anos. Desde 2015, mais precisamente, quando Ada Colau, uma ativista sem muita experiência política, assumiu como Prefeita da cidade.

De acordo com este artigo da Wired, a gestão dela deflagrou uma espécie de “revolução democrática” catalisada pela tecnologia. Nos últimos anos, a Prefeitura vem trabalhando com programadores e desenvolvedores para desenvolver soluções que permitam essa revolução.

Os esforços do governo municipal centraram-se em duas áreas: a primeira é abrir a gestão pública por meio de processos colaborativos e de maior transparência. E a segunda é redefinir o conceito de smart city (cidade inteligente) para garantir que ele sirva aos cidadãos acima de tudo. Após uma apuração, foi constatado que muitas empresas parceiras não cumpriam as contrapartidas dos projetos que desenvolviam com o poder público.

 

Nós decidimos

Assim, a primeira iniciativa foi criar uma plataforma digital, batizada Decidim (“Decidimos”, em catalão). Com ela, o público passou a participar diretamente no governo assim como aconteceria em redes sociais. Sugestão de ideias, debates, votações com “polegares” e estímulo ao compartilhamento em outras redes: esses são os alicerces da plataforma.

De acordo com Francesca Bria, Chefe de Tecnologia e Inovação Digital do município, Barcelona está "realizando experimentos com uma espécie de democracia participativa híbrida, online e offline”, afirma ela no texto da Wired. “Nós usamos o Decidim para criar a agenda do governo — cerca de 70% das propostas vêm diretamente dos cidadãos”. Mais de 40 mil moradores já propuseram políticas. E um número muito maior foi engajado nas votações e nos debates.

 

Revertendo o paradigma da cidade inteligente

Com essa orientação, Barcelona está invertendo caminhos tradicionalmente percorridos pelas smart cities. “Em vez de partir da tecnologia e de extrair todos os dados que pudermos antes de encontrar uma forma de usá-los, nós começamos a alinhar a agenda da tecnologia com a agenda da cidade”, afirma Bria.

Controlar esse fluxo de dados é fundamental por dois motivos. Em primeiro lugar, porque a prefeitura acredita que as informações produzidas pelos cidadãos pertencem aos cidadãos. Assim, o poder público fez com que empresas parceiras forneçam, mensalmente, dados processados para a cidade, o que não acontecia antes.

E o outro motivo é que, quando governos centralizadores e empresas de tecnologia coletam dados, surge um risco para a segurança e também ocorre um imenso desperdício de informações, que poderiam ser utilizadas em prol da cidade.

Por tudo isso, os exemplos GovTechs de Barcelona devem ser celebrados e repercutidos. Tanto o BCN | Open Challenge quanto a abordagem da prefeitura mostram que a cidade está focada em ampliar o espaço para a criatividade e a inovação na esfera municipal. E, mais importante, aponta o caminho para uma gestão pública eficiente, transparente e focada na qualidade de vida dos cidadãos. Algo que jamais pode ficar de fora dos debates - principalmente em ano de campanha eleitoral.

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