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Exame: “Big Brother” no governo reduz burocracia e corrupção com tecnologia

18/01/2019

Founder do BrazilLAB., Letícia Piccolotto foi destaque da reportagem da Revista Exame que abordou exemplos de como governos podem prestar serviços públicos mais inteligentes

Inovação no Setor Público Crédito da foto: Pixabay

[Crédito da foto: Pixabay]

Publicado originalmente por Lucas Agrela, no Portal da Exame.

Países como a Estônia têm muito a nos ensinar sobre como a coleta de dados dos cidadãos contribuem para serviços públicos mais eficientes. Por lá, é possível declarar o imposto de renda, identificar-se em uma eleição e até usar o serviço público de saúde com apenas um registro. O Brasil, apesar de ainda atrasado no tema, dá seus primeiros passos rumo a digitalização: programas como o Bolsa Família pouparam aos cofres públicos cerca de R$ 1 bilhão com o uso de softwares para checagem de fraudes. Letícia Piccolotto, fundadora do BrazilLAB, foi convidada pela Exame para analisar as iniciativas brasileiras rumo a um poder público mais digital:

“Os governos ainda entendem a tecnologia como um meio, algo que faz parte de uma infraestrutura de apoio. Não a veem como uma oportunidade importante do século 21. Ela não é um meio, é uma grande aliada para atingir resultados mais eficientes”, diz.

 

Setor Público Digital

Enquanto nenhuma solução centralizada é criada no Brasil, são as pequenas empresas de tecnologia — as startups — que vêm desenvolvendo ferramentas para digitalizar parte dos serviços municipais e estaduais. Essas startups que trabalham com governos já têm até um apelido. São chamadas de “govtechs”, porque usam a tecnologia para melhorar processos burocráticos e agilizar o atendimento ao cidadão. A consultoria Ovum TMT Intelligence, especializada no setor de tecnologia da informação, estima que os investimentos públicos em TI no mundo deverão crescer e atingir 265 bilhões de dólares até 2021, beneficiando as startups que atuam no setor.

Uma das empresas brasileiras que fazem parte dessa tendência é a Mobieduca.me. Ela desenvolveu um aplicativo para controlar a frequência dos estudantes nas escolas públicas. Cada aluno recebe uma carteirinha, com um código de barras, que é retida quando ele entra na escola e devolvida na hora da saída. A informação é registrada num sistema online, e os pais e as mães dos estudantes podem checar, num aplicativo, se os filhos estão na escola.

O Piauí foi o primeiro estado a implementar o sistema em 2014. Hoje, 200 000 alunos de 339 escolas estaduais, entre as 674 existentes no Piauí, são monitorados com o sistema. O maior benefício é que, com o controle digital e a supervisão dos pais, os alunos são estimulados a estudar. Desde que o sistema foi implementado, a taxa de abandono escolar no estado caiu 75%.

Para Letícia Piccolotto, especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, uma aceleradora que ajuda startups a empreender no setor público, um dos riscos que a digitalização corre no Brasil é o de repetir erros do passado.

“Os governos ainda entendem a tecnologia como um meio, algo que faz parte de uma infraestrutura de apoio. Não a veem como uma oportunidade importante do século 21. Ela não é um meio, é uma grande aliada para atingir resultados mais eficientes”, diz Letícia.

Como a experiência vem mostrando, o investimento em tecnologia pode ser uma boa medida para reduzir a burocracia e ajudar na prestação de serviços de forma mais eficiente e menos custosa. Mas, para isso, é preciso que ela seja bem aplicada. Caso contrário, será mais um gasto público desperdiçado.

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