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BrazilLAB e Banco de Desenvolvimento da América Latina - CAF lançam relatório sobre o ecossistema de Startups Govtech no Brasil

25/09/2020

Levantamento mostra o potencial de crescimento dessas startups no país e como elas estão colaborando para melhorar os serviços públicos. Falta de fundos de investimento para início dos negócios ainda é o maior gargalo do setor, junto com desafios regulatórios

O BrazilLAB, primeiro hub de inovação Govtech do país, em parceria com o CAF - Banco de Desenvolvimento da América Latina, elaborou o relatório "As Startups GovTech e o Futuro do Governo no Brasil", que foi lançado no dia 25 de setembro, durante a primeira edição do BrazilLAB Talks. O levantamento traz uma radiografia do ecossistema GovTech no Brasil, abordando temas como distribuição regional, perfil das empresas, focos de atuação, maturidade, modelos de negócios, bem como desafios e oportunidades para um maior estímulo à adoção de soluções tecnológicas desenvolvidas por startups pelos governos.

Segundo dados da ABStartups coletados pelo estudo, o cenário geral de startups no Brasil tem atualmente mais de 12 mil empresas, sendo que a distribuição destas pela país tem acentuada concentração regional: são 5730 empresas situadas no Sudeste, 2231 na região Sul, 994 atuando no Nordeste, 580 no Centro-Oeste e somente 228 na região Norte. 


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Atualmente, em todo o país, são 80 as startups GovTechs consideradas como mais relevantes, ou seja, aquelas que vendem de maneira consistente para governos ou atuam em parcerias com o setor público de forma recorrente. Mas o relatório aponta que esse é um mercado subaproveitado: do total de startups existentes no Brasil, até 1.500 teriam potencial para atuação no mercado Business to Government (B2G) caso desejassem ofertar suas soluções tecnológicas para os governos.

“Segundo o GovTech Index publicado este ano pela CAF, o Brasil é o país com o maior número de startups vendendo para governo na América Latina. O terreno é muito fértil, mas ainda há muito mais a fazer, especialmente do ponto de vista de abertura de lideranças públicas para inovação e tecnologia, além de algumas barreiras regulatórias e de acesso à investimentos que precisam ser superadas”, afirma Guilherme Dominguez, co-founder do BrazilLAB e responsável pela elaboração do estudo. 

 

Investimentos

A pesquisa aponta os principais gargalos para o fortalecimento do ecossistema GovTech. Dentre eles, o financiamento ocupa lugar de destaque: não há um único fundo de investimento para apoiar a atuação de GovTechs, seja ele privado ou até mesmo público, a despeito dos investimentos recordes em startups nos últimos anos em outros segmentos. Essa baixa propensão dos investidores traz resultados concretos: 90% das startups que atuam com o setor público iniciaram sua operação com recursos próprios do sócio fundador. Além disso, os valores de investimentos para início da operação podem ser considerados modestos, já que dentre as 135 startups entrevistadas para o estudo, 38% delas começaram com uma verba de R$ 100 a R$ 200 mil.

“Somente o Governo Federal empenhou ao longo de 2018 mais de R$ 4,4 bilhões em gastos com tecnologia de informação, incluindo equipamentos e serviços. Além disso, há estimativas de que o mercado GovTech possa representar $ 1 trilhão de dólares até 2025 no mundo todo. Precisamos avançar no entendimento,entre empreendedores e também investidores, de que estamos falando de um mercado de alto potencial de retorno econômico, além do evidente impacto social dessas empresas”, disse Dominguez.


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Foco de atuação e modelo de negócios

A maior parte das GovTechs brasileiras têm como foco de atuação três temáticas: gestão (28%), educação (17%) e saúde (11%). Mas a pesquisa também evidencia que o foco de atuação é tão diverso quanto a complexidade dos problemas enfrentados pelo setor público, por exemplo, segurança (correspondendo a 8% do total de startups) mobilidade e meio ambiente (7%), saneamento (2%) e habitação (4%).

Além disso, também foi possível constatar os principais modelos de negócios dessas Govtechs. A maior parte delas está focada na oferta de Softwares como Serviços (SaaS), correspondendo a 53% do total de startups pesquisadas. As focadas em mercado representam 7%, comércio eletrônico e vendas de dados representam 6%, assim como hardware, consumidor e licença que são apenas 2% respectivamente. Outros modelos de negócios correspondem a 22% das startups.

 

Maturidade

O relatório também traz destaques sobre a maturidade das Govtechs brasileiras. A maturidade corresponde ao nível de desenvolvimento da empresa e, em geral, é dividida em 4 fases progressivas: ideação, quando há a concepção da proposta de valor; operação, correspondendo à implementação; tração, que ocorre quando a empresa experimenta um crescimento e, por fim, escala (ou scale-up), quando o processo de crescimento se dá de maneira sustentada. 

A excelente notícia é que a maior parte das GovTechs brasileiras se encontra nas duas fases mais avançadas de desenvolvimento do negócio: tração (32%) e operação (27%). Há um número menor de startups nos dois extremos do desenvolvimento, já que 13% estão na etapa de ideação e 11% em escala (scale-up), enquanto 17% não informaram em qual estágio se encontram. 

Por fim, a pesquisa também destaca o papel das aceleradoras de startups como atores fundamentais para apoiar o desenvolvimento de soluções GovTechs e também promover a conexão entre o ecossistema empreendedor e o setor público. Nesse quesito, o Brasil também precisa avançar. Embora haja muitas aceleradoras dedicadas a fortalecer iniciativas de impacto social, o BrazilLAB é a única organização do país dedicada à agenda GovTech. “A atuação com o setor público tem muitos desafios e oportunidades. É fundamental que exista um ator externo mediando a relação entre esses empreendedores e governos, reduzindo fricções, incentivando a inovação e, sobretudo, disseminando os resultados positivos que reforçam o quanto a parceria público-privada pode trazer resultados efetivos para o setor público”, afirma Carlos Santiso, do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).  

“A pesquisa ‘As Startups GovTech e o Futuro do Governo no Brasil’ é um panorama inédito do ecossistema GovTech. Com essa iniciativa queremos demonstrar como esse ecossistema tem amadurecido e qual o seu potencial para contribuir com a transformação digital dos governos no Brasil. Os resultados são muito animadores e apontam para a possibilidade de que o Brasil, nos próximos anos, se torne uma referência" afirma Letícia Piccolotto, fundadora e CEO do BrazilLAB.


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