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GovTech Summit: destaques da edição de 2019 realizada em Paris

19/11/2019

O BrazilLAB também esteve presente na capital francesa para acompanhar o principal evento global de inovação no setor público.

Novembro tem sido um mês movimentado em termos de eventos de inovação e de govtech. Depois do Web Summit de Lisboa (confira aqui a nossa cobertura), Paris sediou, no dia 14, o GovTech Summit, principal evento mundial de inovação no setor público, que contou com a participação de líderes de governos, empreendedores e executivos. 

 

Estônia continua dando exemplos

O evento teve início com uma entrevista de Kersti Kaljulaid, atual presidente da Estônia, a Kirsty Innes, do Tony Bair Institute for Global Change. Como se sabe, o país se tornou referência mundial de GovTech, digitalizando praticamente todos os seus processos.  De acordo com a presidente, “a Estônia não fez nada mais do que o setor privado já fazia, e o primeiro passo para a transformação foi a identidade digital dos cidadãos”.

Ela afirmou que abrir espaço para startups de govtech não tem a ver tanto com tecnologia, mas sim com regulamentação e cultura. “O governo precisa abrir espaços legais para a inovação, e os servidores precisam entender a importância desse processo”. De acordo com Kaljulaid, isso contribuiu para a adesão da população, o que foi determinante para a transformação. “As pessoas confiam no governo da Estônia porque nós assumimos compromissos e os cumprimos. Você precisa criar espaços legais e demonstrar na prática que o cidadão pode confiar no governo”.

Quando questionada sobre as novas tecnologias e o impacto delas nos governos, ela foi incisiva. “Nós as queremos no governo!”. Objetiva e direta nesse ponto, completou que a Estônia não repele ou tenta regular inovações que surgem. Pelo contrário, “nós as chamamos para conversar”, disse ela.

Em termos de infraestrutura, o governo adotou medidas bastante eficazes também. “Nós passamos a obrigar as empresas a pagarem salários pelo sistema bancário e, com isso, conectamos e incluímos o país inteiro. Também disponibilizamos computadores nas escolas, nas bibliotecas e em lugares públicos diversos, além de capacitarmos as pessoas para usar a internet. Minha mãe tem centenas de amigos nas redes sociais e isso é um efeito colateral do esforço do governo”, afirmou a presidente.

 

Um retrato da inovação no setor público pelo mundo

A seguir, aconteceu o painel State of GovTech (O estado atual de GovTech), com representantes de governos da França, de Ruanda e da Itália. O debate começou com perguntas ao público, tendo em vista identificar na plateia os empreendedores, gestores públicos, investidores e advogados. Quando as startups levantaram as mãos, foi perguntado quantas delas tinham contratos assinados com o poder público. Nesse momento, ficou claro que esse desafio não se restringe ao Brasil e que as barreiras enfrentadas ao redor do mundo são as mesmas que nós conhecemos: mindset do serviço público, legislação restritiva e processos ruins. Sobre isso, os participantes concordaram que é preciso mudar o cenário, de modo a desenhar servicos digitais para todos, e que estejam disponíveis 24/7.

Para a Ministra de Ruanda, as parcerias são fundamentais, mas “precisamos parar de procurar soluções já testadas. Desse jeito, não ajudamos as startups e os negócios do nosso país”. Ela completou que é preciso confiança nos empreendedores e a criação de processos que reflitam isso, especialmente em compras públicas.

Quando questionados sobre as áreas que estão em alta e onde há mais dificuldade, os painelistas destacaram que a saúde e o transporte público são, atualmente, as mais “quentes”. Por outro lado, afirmaram que o setor ainda precisa evoluir em RH, CivicTech e educação. Neste último caso, foi consenso que embora haja diversas iniciativas surgindo, ainda são poucas as soluções que propõem novas formas de educar e aprender, tornando os conteúdos das escolas acessíveis e atraentes. 

Por fim, os debatedores foram desafiados a eleger uma única e mais importante mudança, que fariam se pudesse mudar qualquer coisa. E as respostas foram complementares. Foi destacado o desenvolvimento de empreendedores em políticas públicas, a melhoria do nível de entendimento sobre tecnologia, a aceitação e celebração do risco e a construção de confiança nos governos e empreendedores.  

 

Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial ganhou um painel específico na programação. Sobre ele, destaque para a fala do COO da Accenture, Jo Deblaere, que destacou o gap existente entre os setores público e privado. “Existe um gap de tecnologia, mas um gap ainda mais preocupante de investimento em tecnologia”. Ele completou que “é preciso ser transparente quanto à falibilidade da IA, sem invalidar os ganhos dela em função disso. Temos que comparar com o erro humano, sem esperar a perfeição”. 

 

As cidades estão realmente se tornando inteligentes?

Já o painel “Innovation in our cities” (Inovação nas nossas cidades) propôs importantes provocações sobre a pauta em nível local. Qual é a maturidade da agenda das cidades inteligentes em 2019? Como as cidades podem trabalhar juntas para alavancar a inovação? Como governos federais podem oferecer a combinação exata de investimentos e infraestrutura para fomentar a inovação nos municípios? Para responder a essas perguntas, reuniram-se representantes das administrações de Paris, Copenhaguen, Leipzig e Barcelona. 

Para Francesca Bria, ex-CIO de Barcelona e atual Consultora em Cidades Digitais e Direito Digital da ONU, a transparência no uso dos dados é fundamental.Precisamos mostrar que estamos no controle dos nossos dados. Em Barcelona, consideramos dados como infraestrutura pública, e deixamos a população decidir quais os dados e em que circunstâncias podem ser compartilhados”. Sobre isso, Francesca ainda apresentou uma boa prática da prefeitura. “Todo mundo que ganha um contrato com Barcelona, tem que nos devolver os dados, que são da população e controlados por ela, pela participação direta.”

Ela completou que a tecnologia precisa suportar a visão de longo prazo que a gestão construiu para a cidade, com a participação das pessoas. “A maior dificuldade é mudar o governo para integrar a participação. É difícil para o cidadão entender como o governo funciona, pois os governos não são desenhados para essa participação”.

Sobre a negociação com startups, todos os painelistas afirmaram ter dificuldades de contratação e concordaram que o problema não é a lei, mas a interpretação. Empoderar os servidores e atrair novos talentos, absorvendo habilidades da sociedade 5.0 e tornando o governo mais eficiente e transparente foi a solução apresentada por eles. “O grande desafio é a organização do backoffice. Digitalizar serviços não é tão difícil”, explicou Francesca. “É preciso pensar no processo todo, de uma ponta à outra, manter a privacidade e explicar aos servidores como o trabalho deles vai mudar”, concluiu.

 

E agora?

Podemos destacar também o painel sobre empreendedorismo e o debate de encerramento. No geral, destacaram a importância de um novo mindset - mais que novas habilidades - e da resiliência dos gestores públicos na entrega de melhores serviços à população. Foi consenso que os servidores precisam estar motivados e que, para isso, é preciso ampliar os espaços de inovação e experimentação, em parceria com startups, universidades, sociedade e empresas.

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