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GovTech: 5 mudanças que o brasileiro espera em um governo digital, por Letícia Piccolotto

25/04/2019

A founder do BrazilLAB participou do evento GovTech Conference, organizado pela StartSe em parceria com o BrazilLAB

No dia 24 de abril, aconteceu o evento GovTech Conference, realizado pela StartSe em parceria com BrazilLAB. O evento reuniu, no Expo Center Norte (SP), alguns dos principais players e especialistas em inovação no setor público do país, além de empreendedores que vêm se destacado nesse campo. O BrazilLAB não só marcou presença no evento, como foi co-realizador. Se você não pode estar lá, preparamos um resumo com o que aconteceu de mais bacana.

O dia começou com a apresentação de Eduardo Glitz, sócio da StartSe. Ele compartilhou a visão da empresa a respeito da nova economia. Com uma fala fortemente inspiracional, estimulou os presentes a “ampliar o ‘vamos fazer’ e a inibir o ‘não dá pra fazer’, uma vez que estamos tratando do futuro do país”. E apresentou exemplos de novas tecnologias que “já estão revolucionando dinâmicas de mercado e mudando paradigmas”: os veículos autônomos da Tesla, as impressora 3D, a robótica na medicina, etc. Concluiu com uma provocação: “de que forma nós, como governo, estamos nos preparando pra isso, como estamos preparando as pessoas?”

 

“Não somos o patinho feio”

Letícia Piccolotto

Depois, foi a vez de Letícia Piccolotto, founder do BrazilLAB, subir ao palco. Ela começou destacando o pioneirismo do LAB, uma vez que, quando ele foi fundado, há três anos, “falar de inovação no setor público parecia muito utópico”.

Então, ela apresentou um panorama atual de GovTech no país e trouxe dados relevantes: “uma boa estratégia digital pode trazer, ao Brasil, um aumento de 5,7% do PIB, e economizar até 97% dos custos de atendimento e serviços públicos, de acordo com o relatório de estratégia brasileira de transformação digital de 2018”.

Letícia lembrou que o país subiu cinco posições no ranking do Global Innovation Index - hoje, ocupamos o 64º lugar. “Não somos o patinho feio desta história”, afirmou ela. “Muitas vezes achamos que é impossível, mas não. Estamos mais bem posicionados, temos mecanismos que funcionam”. E compartilhou outra boa notícia: o governo brasileiro tem criado frameworks para viabilizar a transformação digital. Como exemplo, citou o Marco Civil da Internet, de 2014, a Lei de Inovação, de 2016, e a Estratégia Brasileira de Transformação Digital, de 2018.

 

Esbarrando na cultura

De acordo com a founder do BrazilLAB, o principal problema do país ainda é o mindset. Para Letícia Piccolotto, a transformação só será sistêmica se ocorrer uma forte mudança cultural. “Principalmente dos gestores públicos e dos gestores que estão à frente de órgãos de controle, que precisam dialogar com o executivo na busca de soluções criativas”.

Ela lembrou que o Brasil já é um dos países mais conectados do mundo, mas que o consumo predominante ainda é de entretenimento. “Ainda não consumimos muito conteúdo de educação, por exemplo. Temos uma oportunidade incrível para mudar esse cenário”, afirmou.

 

O que a população espera de um governo digital?

A seguir, Letícia compartilhou os resultados de uma importante pesquisa realizada pelo BrazilLAB. O objetivo foi identificar o que a população espera de um governo digital. De acordo com ela, estes foram os principais pontos:

 

1 - Experiência positiva na interação

“Estamos acostumados a ter experiências digitais positivas em diversos serviços: aplicativos de transporte, mapas, entrega de comida, entre outros. Por que não esperar a mesma coisa dos serviços públicos?”, provocou Letícia.

 

2 - Participação simples, rápida e multicanal

Para a founder do BrazilLAB, quando o governo apenas “transporta” seus serviços para sites, há o risco de se criar uma burocracia digital. “A digitalização do poder público deve simplificar cadastros, acabar com repetições de informações e agilizar os processos – em qualquer plataforma que o usuário preferir acessar”.

 

3 - Confiança no uso dos recursos

Letícia lembrou que, por causa da ineficiência na gestão ou da corrupção, hoje os cidadãos não têm confiança de que impostos e taxas de serviços tragam um retorno positivo. “No governo digital, é necessária uma relação de confiança entre a população e o poder público. Do contrário, as pessoas criarão barreiras para o uso de novos serviços, construídos a partir de recursos que vieram delas”.

 

4 - Avaliação e transparência

“Se avaliamos um serviço digital em tempo real assim que ele é realizado, por que não fazemos o mesmo com os serviços públicos?”, provocou Letícia Piccolotto. Para ela, a cultura de feedback vai ajudar o governo a melhorar suas decisões, e a transparência em relação a gastos, erros e acertos melhora a relação com o usuário.

 

5 - Segurança e privacidade dos dados

O uso de dados para melhorar serviços é essencial. No entanto, a founder do BrazilLAB destacou que a população precisa ter a confiança de que suas informações estarão seguras nas plataformas do governo. “Em hipótese alguma o poder público deve disponibilizar estes dados para terceiros ou guardá-los em redes de não criptografadas.”

 

Empreendedores no comando

Letícia Piccolotto

Por fim, Letícia Piccolotto enfatizou o protagonismo dos empreendedores: “só eles podem liderar essa revolução. Só eles podem quebrar as barreiras no setor público e gerar impacto para a sociedade. Eles têm o conceito de como criar uma solução adaptada, que vá atender à demanda da população. E eles são os responsáveis pelas GovTechs, startups que estamos convocando para a revolução em governos, e que têm em seu modelo uma estratégia B2G”.

A apresentação de Letícia foi concluída com um dado impressionante: o mercado de GovTech deve movimentar, até 2025, mais de 400 bilhões de dólares. De acordo com ela, o BrazilLAB está trabalhando para que o Brasil aumente sua participação nesse mercado. A iniciativa mais recente foi o lançamento do Selo GovTech, cujo objetivo é ampliar o número de startups capacitadas a vender para governos.

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