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BrazilLAB, três anos: confira um balanço da nossa trajetória desde 2016

29/03/2019

A Founder Letícia Piccolotto, a Co-Founder Mariana Soares e os Diretores Guilherme Dominguez e Cristina Gonçalves compartilham aprendizados, desafios e o que vem por aí

O mês de março foi bastante movimentado para o BrazilLAB. Além da conclusão do 3º Ciclo de aceleração com o DemoDay, foi quando o hub completou três anos de vida -- e existem muitos motivos para celebração. Desde quando nasceu oficialmente, em março de 2016, até o mesmo mês de 2019, o BrazilLAB vem cumprindo os principais objetivos que nortearam sua concepção. E para falar dessa trajetória, não há ninguém melhor do que os responsáveis por ela.

A Founder Letícia Piccolotto relembra que a concretização da ideia foi antecedida por um fato triste. “Meu pai faleceu em 2015. Percebi o quanto a vida é curta, e como, para mim, era importante fazer algo em que acreditava”. Profissionalmente, Letícia também vivia inquieta. “Eu sempre trabalhei no terceiro setor, e tinha cabado de concluir um projeto com a Fundação Bloomberg, que, como se sabe, investe muito na pauta da inovação para governos. Pensei: ‘é disso que o que o Brasil precisa’”.

 

“Ralando” contra a maré

DemoDay

O problema é que, na época, o país estava passando por eventos críticos. Era o começo da Operação Lava-jato, e o descrédito em relação ao poder público só fez crescer. “Tínhamos um projeto de agenda positiva, com soluções para o governo, trabalhando com a pauta de tecnologia. Mas todo o contexto era negativo.”

Guilherme Dominguez, Diretor Jurídico do BrazilLAB, lembra bem desse momento. “Quando começamos, tínhamos a ideia muito forte de resgatar a relação de confiança entre poder público e iniciativa privada, que estava muito abalada por operações anticorrupção”.

A ideia foi, então, concretizada. Nascia o BrazilLAB como hub de conexão entre startups e setor público. “No primeiro ano, não tínhamos a verba total para tocar a operação. Foi um período de muita ‘ralação’, economizávamos todos os centavos possíveis. E conseguimos parcerias importantes. Todos os nossos mentores eram voluntários”, conta Letícia.

 

“Será que as startups querem?”

DemoDay 2017

Além dos desafios de verba e de propor uma agenda positiva em um contexto negativo, uma dúvida pairava no ar: as startups estariam interessadas em empreender com os governos? A resposta surpreendeu a todos. “No primeiro ano, tivemos mais de 200 inscrições e selecionamos doze startups”, recorda Letícia. “Hoje lembro de quando eu via os empreendedores realizando oficinas e passando por mentorias, e achava muito louco. Pensava que tudo o que tínhamos desenhado estava rolando, vieram pessoas do Brasil inteiro”.

No final de 2016, aconteceu o primeiro DemoDay, que é a conclusão do ciclo de aceleração. “Trouxemos prefeitos e até governadores para ouvir o pitch das startups e, ao final, muitos conseguiram emplacar soluções com prefeituras. Fechamos o ciclo”, conta Letícia.

Guilherme Dominguez destaca a leitura do cenário, que se provou certeira, como fator desse sucesso. “Foi um diagnóstico acertado, porque havia muito pouca gente olhando pra questão da inovação no setor público”.

Mariana Soares, Co-Founder do BrazilLAB, ressalta a sintonia desse pensamento com o resto do mundo. “Estávamos em linha com outros países, mobilizando a sociedade para a pauta de GovTech. Já era um debate de escala global, que desde então só se intensificou”.

 

Bons números no segundo ano, consagração no terceiro

Guilherme Dominguez

Com o modelo validado, o BrazilLAB passou por 2017 conquistando números importantes. “Tivemos um aumento de 80% nas inscrições, e o programa atraiu empresas de perfil mais maduro”, afirma Letícia Piccolotto. Guilherme Dominguez lembra que também foi o momento de consolidar o trabalho do hub no sentido de fazer “uma ‘tradução’ da linguagem e da cultura startupeiras para o setor público”. Ou seja, atuar também na mudança de mindset, de paradigmas.

O terceiro ano, de acordo com Letícia Piccolotto, trouxe a consagração. “Foi quando o termo GovTech entrou para valer na pauta. Tivemos o evento GovTech Brasil, que foi um marco, porque trouxemos casos internacionais e mostramos que é possível”.

Para ela, foi o momento de provar que transformação digital e tecnológica no setor público não é só uma pauta só técnica, mas que gera resultados em educação e saúde e etc. “Inovação para governo deixou de ser uma pauta secundária”.

Outro importante acontecimento foi a chegada de Cristina Gonçalves ao time do BrazilLAB, no segundo semestre de 2018, como Diretora de Inovação e Parcerias. “Vim porque a Letícia e a Mariana entenderam que o momento é de mais maturidade. Cheguei para ajudar, para dar mais força a um propósito em que acredito demais”.

 

Dois anos em oito meses

DemoDay 2018

O trabalho, desde então, tem sido intenso. “Esses oito meses pareceram dois anos”, conta Cristina. “Porque o número de inscrições para o programa de aceleração dobrou, começamos a conversar com mais pessoas, depois do evento GovTech fomos muito mais procurados, gestores públicos passaram a pedir para conhecer startups…”

A Diretora de Inovação e Parcerias destaca, também, a sinergia da equipe do BrazilLAB. “Acaba sendo uma grande troca. O Guilherme Dominguez tem esse entendimento profundo sobre questões jurídicas. Já eu tenho a vivência do lado da startups, de modo que conseguimos nos complementar. Cada um de nós é dono do negócio e todo mundo se ajuda”.

Os bons números continuaram chegando. No terceiro ciclo de aceleração, realizado entre 2018 e 2019, foram 265 startups inscritas de todo o Brasil (e duas de fora), 33 selecionadas, 31 que concluíram o ciclo, 20 escolhidas para a banca pitch e seis finalistas no DemoDay.

Com tudo isso, o balanço é altamente positivo. Olhando para trás, Guilherme destaca a capacidade de mobilização do BrazilLAB: “acredito que conseguimos juntar boas pessoas em torno de grandes ideias. Formamos uma equipe que no começo era 100% voluntária, e agora estamos com seis pessoas totalmente dedicadas -- além de uma rede de parceiros e mentores voluntários com mais de cinquenta pessoas, gente da FGV, do Campus Google, entre outros”.

O poder de mobilização também é um destaque para Letícia Piccolotto: “hoje, contabilizamos mais de 100 eventos realizados, mais de 3.600 empreendedores impactados e mais de 45 mil pessoas alcançadas via redes sociais. Tudo em torno da pauta de GovTech”.

E Mariana Soares enfatiza o propósito dessa trajetória. “Empreendedorismo é uma força muito grande, é o que move a sociedade. Estamos trabalhando com um time de empreendedores de inovação, que é o do futuro. Tem sido muito gratificante trabalhar com isso. E quando você junta essa força com o governo, fica ainda melhor”.

 

Olhar para o futuro

E o que esperar dos próximos anos? Mais desafios, sobretudo no campo jurídico. “Continuamos focados em inovação em governo”, afirma Guilherme, “mas percebemos que temos um desafio em termos de advocacy, de modernizar o sistema de compras públicas no país, para tornar o processo mais fácil e acessível”.

Mariana Soares prevê uma aproximação maior dos governos. “Enxergo o BrazilLAB trabalhando muito mais perto dos gestores públicos - até então, estávamos mais próximos de startups. Agora, nosso trabalho será no sentido de ajudar o governo a ter o mindset da inovação. Queremos ser fomentadores de inovação dentro do Governo”.

Cristina Gonçalves, por sua vez, vê o BrazilLAB crescendo. “Sairemos do mundo presencial para um market place. Eu nos vejo crescendo muito nesse papel de hub conector. São três anos fortalecendo essa presença, construindo uma rede entre gestores públicos e atraindo startups, e nos vejo ajudando nisso em uma escala maior”.

E, para além dessas percepções, Letícia Piccolotto destaca que a essência do BrazilLAB, o propósito que orientou sua criação, vai se manter. “Continuaremos propondo uma agenda positiva e transformadora, não importando o quão negativo seja o contexto do país. Porque já está provado que o caminho certo é esse”, conclui ela.

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